quinta-feira, 20 de outubro de 2011

20/10 DIA DO POETA



    Todos nós temos sentimentos e emoções, portanto o potencial para sermos poetas não nos falta. O que precisamos é exercitar a arte de trabalhar as palavras.
     Poeta é aquele que faz versos, que escreve poesias.
    A poesia, ou gênero lírico, ou lírica é uma das sete artes tradicionais, uma forma de linguagem. A poesia é uma linguagem verbal criativa. Uma arte de escrever em versos. Uma forma de se expressar e transmitir sentimentos, emoções e pensamentos.
    Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isto, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico.
  •   Olavo Bilac
  •   Elias José
  •   Oswald de Andrade
  •   Cora Coralina
  •   Carlos Drummond de Andrade
  •   Cecílía Meireles
  •   Manuel Bandeira
  •   Fernando Pessoa
  •   Vinícius de Morais
  •    Mário Quintana
Segue uma linda definição sobre o poeta pelo grandioso Fernando Pessoa:
O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
 Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
 E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem
Não as duas que ele teve
 Mas só as que ele não têm
E assim nas calhas de roda
 Gira, a entreter a razão
 Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O PROFESSOR

15 DE OUTUBRO - DIA DO PROFESSOR



Professor, "sois o sal da terra e a luz do mundo".
Sem vós tudo seria baço e a terra escura.
Professor, faze da tua cadeira
a cátédra de um emstre.
Se souberes elevar teu magistério,
ele te elevará a magnificência;
Tu és um jovem, sê, com o tempo e a competência,
um excelente mestre.

Meu jovem professor que ensina e quem mais aprende?
O professor ou o aluno?
De quem maior responsabilidade na classe,
do professor ou do aluno?
Professor, ser um mestre. Há uma diferença sutil
entre este e aquele.
Este leciona e vai prestes a outros afazeres.
Aquele mestreia e ajuda seus discípulos.
O professor tem uma tabela a quem se apega.
O mestre exerce qualquer tabela e é sempre um mestre.

Feliz é o professor que aprende ensinando.
A criatura humana pode ter qualidades e faculdades.
Podemos aperfeiçoar as duas.
A mais importante faculdade de quem ensina
é a sua ascedência sobre a classe.
Ascendência é uma irradiação magnédica, dominadora
que se impõe sem palavras ou gestos,
sem criar atritos, ordem e aproveitamento.

É uma força sensível que emana da personalidade
e a faz querida e respeitada, aceita.
Pode ser consciente, pode ser desenvolvida na escola,
no lar, no trabalho e na sociedade.
um poder condutor sobre o auditório, filhos dependentes, alunos.
É tranquila e atuante. É um alto comando obscuro
e sempre presente. É a marca dos líderes.

A estrada da vida é uma reta marcada de encruzilhadas.
Caminhos certos e errados, encontros e desencontros
do começo ao fim.
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
O melhor professor nem sempre é o de mais saber,
é sim aquele que, modesto, tem a faculdade de transferir
e manter o respeito e disciplina da classe.

CORALINA, Cora. Vintém de Cobre - Meias coffisões de Aninha. São Paulo: Global, 1997

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

TROPEÇOS DA INTELIGÊNCIA

      Há a história dos dois ursos que caíram numa armadilha e foram levados para um circo. Um deles, com certeza mais inteligente que o outro, aprendeu logo a se equilibrar na bola e a andar no monociclo, o seu retrato começou a aparecer em cartazes e todo o mundo batia palmas: "Como é inteligente". O outro, burro, ficava amuado num canto, e por mais que o treinador fizesse promessas e ameaças, não dava sinais de entender. Chamaram o psicologo do circo e o diagnostico veio rápido: "É inútil insistir. O Q.I é muito baixo..."
      Ficou abandonado num canto, sem retratos e sem aplausos, urso burro, sem serventia... O tempo passou. Veio a crise economica e o circo foi à falência. Concluíram que a coisa mais caridosa que se poderia fazer aos animais era devolvê-los às florestas de onde haviam sido tirados. E, assim, os dois ursos fizeram a longa viagem de volta.
      Estranho que em meio à viagem o urso tido por burro parece ter acordado da letargia, como se ele estivesse reconhecendo lugares velhos, odores familiares, enquanto seu amigo de Q.I alto brincava tristemente com a bola, último presente. Finalmente, chegaram e foram soltos. O urso burro sorriu, com aquele sorriso que os ursos entendem, deu um urro de prazer e abraçou aquele mundo lindo de que nunca esquecera. O urso inteligente subiu na sua bola e começou o número que sabia tão bem. Era só o que sabia fazer. Foi então que ele entendeu, em meio às memórias de gritos de crianças, cheiro de pipoca, música de banda, saltos de trapezistas e peixes mortos servidos na boca, que há uma inteligência que é boa para circo. O problema é que ela não presta para viver.
 
Rubem Alves

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

INTERPRETAÇÂO DE TEXTO

     Interpretar corretamente um texto é uma competência que poucos têm. O Twitter, Facebook, Orkut e tantos outros contextos já mostraram que é cada vez mais difícil achar quem consiga ir além da superfície do texto.
     Veja um exemplo nesta charge.


 De: Análise de textos

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

FALSIDADE

 


Eu vou bem
no pais do
tapinhas nas costas
"Tudo bem!"
"Tudo joia!"
Assim sorrimos também aqui
Pela vida afora
E viramos para o outro
nossas costas ensolaradas.

SEJA PROFESSOR

   Ser professor é socializar o saber, é construir, juntamente com o discente, um conhecimento que valorize o meio em que atua.
Por isso, destacar-se-ão 7 motivos para incentivar cada vez mais pessoas destemidas e comprometidas, a ingressar nessa brilhante carreira.
Leia-os com atenção e anote todos os detalhes:
1. Estude muito e leia bastante, principalmente a vida de São Francisco de Assis; lembre-se de que você também terá que fazer um voto eterno de pobreza.

2. Prepare-se para manejar certos instrumentos, como o giz e o apagador. Para tal, orientamos o personal stylest de Michael Jackson; você precisará de luva e máscara durante as aulas.

3. Manter-se em forma não será problema para você com o corre-corre de uma escola para outra, você estará evitando o sedentarismo, com o salário que receberá, não precisará fazer regime e caso precise complementar a cesta básica do mês, você ainda pode ter o privilégio de usar o TÍCKET DE 4 REAIS...

4. O educador é o único que pode acumular cargos além de ministrar aulas em 3 ou 4 colégios/faculdades/universidades diferentes, ainda sobra tempo para ser sacoleiro, levando para as escolas os últimos lançamentos do Paraguai ou sendo importante representante de empresas como a AVON, NATURA, a HERMES e a SHOPPING MAIS.
5. A formação continuada do professor é algo bastante importante e valorizada pelo governo. Com sorte, você será selecionado para ficar em um grande e luxuoso hotel como o IAT, desfrutar de ótimas instalações e saborear um cardápio variado tudo isso com uma localização privilegiada e com vista para o ma...to.
6. O local de trabalho deve ser evidenciado: o educador, quase sempre, trabalha em escolas-modelo, cujo slogan é a fartura: 'farta' limpeza, 'farta' funcionário, 'farta' material didático, enfim, 'farta' tudo; e por incrível que pareça 'farta' educação.
7. Por fim, você desfrutará de um plano de saúde de ótima qualidade, cuja eficiência é demonstrada nos consultórios psiquiátricos repletos de professores que, ao completarem a idade e o tempo de serviço, já se encontram fatigados pelo trabalho, sugados pelo sistema e em pleno desmoronamento físico além do mental.

Assim, depois de ler essas sete dicas, não perca a oportunidade e não desista:
O nosso lema é:
'PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR'.
Aos que já se encontram desfrutando desse 'néctar' que é ser professor, nossos parabéns, você é persistente e capaz.
Possivelmente, não terá recompensa aqui na terra, mas é certo que já tenha adquirido lugar privilegiado no céu.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

LÍNGUA AFIADA




CHAMPAHE

   Você pode escrever tanto champanhe quanto champanha. ambas as formas são grafadas no masculino. Portanto ao referir-se a esse belo vinho espumante, escreva o champanhe ou a champanha.
Exemplos:
   Na festa foi servido o legítimo champnhe francês.
   O champanha nacional está tendo boa aceitação.

CHOPE

   A palavra deve ser grafada no singular quanto o sentido for genérico ou quando se referir apenas a um, e não a vários chopes. Tomar um chopes está errado. Você pode, sim, tomar dois chopes.
Exemplo:
   Vamos tomar um chope depois do expediente.

PITU

   Pitu (sem acento) é uma espécie de camarão. A regra gramatical diz que palavra oxítona, precedida de consoante, terminada em 'u' não é acentuada. Logo caju, peru, tatu, chuchu etc. não recebem acento.
   Sim, o nome daquela famosa pinga (PITÚ) leva acento, mas nós não temos nada a ver com isso.
   O correto é PITU.
Exemplo:
   No Nordeste se pesca muito pitu.





  

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

SALOMÃO E A FORMIGA AMOROSA


  

     Conta-se que, um dia, o grande rei Salomão passeava por um lugar retirado, quando passou diante de um formigueiro. Imediatamente todas as formigas vieram aos milhares cumprimentá-lo e asseguram a sua submissão.
    Entretanto, uma delas o ignorou, porque estava ocupada em transportar, grão por grão um enorme monte de areia que estava em seu caminho.
     Espantado com o que via, Salomão mandou chamá-la e lhe disse:
     _ Ó pequena formiga, você jamais vai conseguir fazer essa montanha de areia desaparecer. Esse encargo que você assumiu não está à altura de suas forças.
     A formiga fez uma reverência, mas retrucou:
     _ Ó grande rei, não se deixe impressionar pelo meu tamanho. Só a minha paixão e meu amor é que contam. Uma formiga me fez cair na armadilha de seu encanto e depois foi embora, dizendo-me: "Se você remover esse monte de areia, farei desaparecer o obstáculo que nos separa". Assim vou me dedicar a essa tarefa até o meu último suspiro. E se eu tiver de perder a vida, morrerei ao menos na esperança de juntar-me a ela. Ó rei, aprenda de uma miserável formiga o que é a força do amor, aprenda de um cego o segredo da visão...
                                            
                                    Segundo uma parábola do poeta persa ATTAR (1150-1220)

     Somos todos parecidos com essa formiga, tão miseráveis, tão minúsculos. Mas se formos animados por um grande propósito, por um belo ideal ou por um grande amor, podemos remover montanhas.
     Esta parábola parece acrescentar que o importante não é o fim, mas a esperança, a aspiração (seja ela política, amorosa, artística ou divina).
     Qual é a sua inspiração?
     Que montanha você gostaria de remover?
     Já começou?

                                                                 Do livro: Fábulas Filosóficas













sábado, 17 de setembro de 2011

FEIRA DE SANTANA: 178 ANOS DE EMANCIPAÇÃO



SALVE TERRA, FORMOSA E BENDITA
PARAÍSO COM NOME DE FEIRA

   Feira de Santana, como qualquer outra cidade, tem gritantes problemas. Apesar de ter passado para a categoria de metrópole, notamos ainda inúmeras falhas em vários setores, mas não conheço nem nunca ouvi falar de uma cidade tão acolhedora como essa.
   Nascida em Ipiaú, Cheguei  a essa terra quando tinha doze anos. Aqui conheci meu amor, casei com um filho daqui, constituí família, concluí meus estudos e exerço minha profissão.
   Sou apenas mas uma forasteira, entre tantos outros habitantes, que presenciou o seu rápido crescimento.
   Se for fazer uma estatística, a maioria dos habitantes é de outras cidades porém todos elegeram-na como sua terra natal.
   Terra boa de viver, próspera e altaneira.
PARABÉNS, FERA DE SANTANA!   

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A PALAVRA


  
 Um dia, um pescador que veio estender sua rede na praia, encontrou um crãnio seco na areia. Querendo brincar, dirigiu-se ao crânio e perguntou:
   - Diga uma coisa, Crânio, quem trouxe você até aqui?
   Qual não foi sua surpresa, quando ouviu o crânio responder:
   - A palavra!
   Imediatamente, o pescador correu até a aldeia, entrou na casa do seu rei e contou o acontecido.
   - Um crânio que fala! - exclamou o rei. - Você tem certeza do que está me contando?
   - Tanta certeza como a de estar diante do senhor e falar com o senhor.
   - Cuidao, homem - disse-lhe o rei. Se você me contou uma besteira, ai de sua cabeça!
   E, em solene cortejo, ele foi até a praia para ver aquela varavilha.
   Quando chegaram diante do crânio, o homem repetiu com uma ponta de orgulho:
    - Diga aí, Crânio, quem lhe trouxe até aqui?
   Mas desta vez, nada! Silêncio! O crânio não respondeu.
   Então o rei puxou a sua espada e decapitou o pescador na hora. Depois, voltou para a aldeia com seu cortejo.
   Quando o rei foi embora o crânio se voltou para a cabeça recém-decepada e perguntou:
   - Agora, me diga quem lhe trouxe aqui para perto de mim?
   - A palavra - respondeu a cabeça, desiludida.
                                                   
                                                                               Conto africano
 DISCUTINDO O TEXTO:

   A satisfação de tagarelar leva, aqui, à decapitação.
   É claro que isso é um excesso. Entretanto, como em todos os contos, é preciso que ele trnsmita uma mensagem simbólica destinada a nos chamar a atenção sobre o perigo de falar sem pensar.
Que lição você tira desta história?
Quando devemos falar, quando devemos ficar calados?

   Extraído do livro Fábulas Filosóficas

terça-feira, 13 de setembro de 2011

NÃO DIGA, JAMAIS ESCREVA!



HÁ ANOS ATRÁS
Errado
Eu nasci a dez mil anos atrás.
Raul Seixas, até poderia alegar que usou de uma licença poética para dar nome a sua famosa composição, mas em português a junção das palavras há e atrás em frases com a cinco dias atrás ou a poucas horas atrás é considerada uma redundância, ou seja, uma repetição desnecessária de uma ideia. Se alguém fez alguma coisa há dois anos, só poderia ser atrás. Você já viu alguém fazer alguma coisa há dois anos à frente?
Certo
Eu nasci há dez mil anos.
Eu nasci dez mil anos atrás.
PLANOS PARA O FUTURO
Errado
Tenho muitos planos para o futuro.
Planos são sempre para o futuro.
Ninguém tem planos para o passado, portanto, é completamente desnecessário dizer que você possui um plano para o futuro.
Certo
Tenho muitos planos.
Farei outros planos.
SURPRESA INESPERADA
Errado
Foi uma surpresa inesperada ganhar tantos presentes de aniversário.
Trata-se de uma redundância.
Se você esperasse  ganhar tantos presentes não seria uma surpresa, correto?
Não existe surpresa inesperada. Ser inesperada é uma característica de qualquer surpresa. Portanto, dispense tal combinação.
Certo
foi uma surpresa ganhar tantos presentes de aniversário.
Foi inesperado ganhar tantos presentes de aniversário. 
VIÚVA DO FALECIDO
Errado
Fui visitar a viúva do falecido Jorge.
Mais uma coisa de repetição desnecessária de uma mesma ideia. Não existe viúva ou viúvo de uma pessoa viva.
Se alguém é viúvo com certeza é de uma pessoa falecida.
Certo
Fui visitar a viúva de Jorge.
FAZEM DEZ ANOS
Errado
Fazem dez anos que eu espero por você.
A saudade pode ser enorme mas usar o verbo no plural não vai ajudar a diminuí-la. Em frases que expressam noção de tempo (anos, dias meses etc.) o verbo “fazer” é impessoal, ou seja, não possui sujeito, apresenta a mesma forma  no singular e no plural. Não importa que você esteja falando de um fato que aconteceu há 1 ano ou há 20 anos, usa-se sempre o verbo fazer no singular ( faz um ano, faz dois anos, faz 400 anos).
Certo
Faz dez anos que eu espero por você.

sábado, 20 de agosto de 2011

Variação Linguística

    Recebi este texto da minha colega Evileide como sugestão para indrotuzirmos Variação Linguística. há uma identificação muito grande com o nosso falar, nossa cultura nordestina.

Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente

Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala


Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
Coisa inferior é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro

Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caixa Prego


Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Botão de rádio é Pitoco
E confusão é Arenga

Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado


O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado

E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala


Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bombom é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Enxerir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira


Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela

E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado


Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente da casa é Terreiro

Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala


Aqui, valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada

O pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado


Tocar de leve é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada

Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada


Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
Sandália é Alpercata
A correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote

E o folgado é Folote
É assim que a gente fala


Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é para negação
Nas costas, é na Cacunda


Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso

Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha


Não concordo, é Pois Sim
Estou às ordens, Pois Não
Beco do lado é Oitão
A corrente é Trancilim

Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala


A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau

Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega


Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado


Estilingue é Balieira
Prostituta se diz Quenga
Cabra medroso é Molenga
O baba-ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axila é Suvaco
Se o cabra for mau, é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala


Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar


A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga


Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Lombo se diz Espinhaço
Matar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Engembrado
É assim que a gente fala


O afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Quer saber como, diz Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Sujeito leso é pamonha
Manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco

E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra é de Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Azar se chama Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha


Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
O cara medroso é Frouxo
E comprimido é Cachete
Olho sujo tem Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala


Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Se estiver desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego


Coisa fácil é Fichinha

Dose de cana é Lapada
Empurrar é Dar Peitada
E o banheiro é Casinha
Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina,
É assim que a gente fala


Janderson Araújo de Oliveira

quinta-feira, 18 de agosto de 2011



Poemas produzidos pelos alunos do 8º ano matutino

A Fome

A fome é a miséria do mundo
Mas também é rica e profunda.
Motiva a prosperar e a crescer
E no trabalho amadurecer.

A fome, às vezes, é fingida
Num disfarce constrangido
Ela continua escondida.

A fome do pobre não dá
Para esconder ou sublimar
Tem raízes em todo lugar
Por causa da desigualdade social
Que há aqui e acolá.

Autora: Karine Cerqueira Souza

Fome

O que dizer, o que fazer
Contra essa fome
Que traz angústia e dor

Quando  sentimos fome por escolha
A qualquer hora podemos sanar
É só alguma coisa na barriga colocar

Quando a temos sem nenhuma opção
A única solução é o lixo revirar
E as sobras e detritos na barriga colocar

Muitos lixos do CEASA
G Barbosa ou feira livre
Em banquetes podem se transformar
E de uma vez com a fome acabar.

Autora: Karliany Machado

 A Fome

Fome! Tenho fome de amor
Porque ele supera tudo
Quem ama não sente dor.

Fome! Tenho fome de felicidade
Fome! Tenho fome de amizade

Fome! Tenho fome de tudo
Que possa me satisfazer
Pois em matéria de sentimentos
Tenho muito que aprender

Autora: Karoline Costa Vitório

A Fome

Todo mundo sente fome
Forte fraco ou doente
Todo mundo sente fome
Mesmo quando está contente.

Para matar essa fome
É fácil, preste atenção
Vale comer de tudo
Do biscoito ao feijão

Só não vale comer de mais
Para não ter indigestão
Mas isso acontecer
Você terá aprendido uma grande lição:
O olho é grande, a barriga, não.

Autora: Lailla Ramos de Souza

O que será?

Entre os restos a procurar
Nos detritos a se fartar
Será um cão? Acho que não.
Será o quê?

Com roupas sujas e rasgadas,
Em um monte de lixo tropeçava
E ao mesmo tempo chorava.
Será o quê?

Percebo uns olhos tristes
Parecia com muito apetite.
Nossa! Que horror!
É um homem com muita fome
Devorando tudo que no lixo aparecer

Nos olhos trazia a expressão
De toda a tristeza do seu coração.
Meu Deus! Como isso pode acontecer?

Autora: Maíra Barreto Lima

A Comida

Eu quero comer pra sobreviver
Eu quero comer pra poder dizer:
Eu tenho dignidade.
Eu tenho fome e você?
Eu tenho sede e você?
Não quero poluição
Eu quero é diversão
Não quero baixaria
Eu quero festa todo dia
Eu tenho sede de viver
Eu tenho fome de ser um SER
Eu quero sempre a verdade
Quero acabar com a maldade
E saciar a fome de liberdade.

Autora: Michele dos Santos Estrela

A fome e o lixo

No lixo da cidade começa a vida
Das pessoas que passam por necessidade

No lixo da cidade elas tiram o alimento
Que vai servir para sua sustentabilidade

No lixo da cidade muitas crianças vão nascer
Muitos jovens vão crescer e vão morrer

Essas pessoas sabem o que é fome de verdade
É a fome de comida e fome de dignidade.

Autora: Samara Monique


Mendigos

A história que vou contar
Preste muita atenção
Não é de bichos são de mendigos,
Pessoas que vivem no lixão.

Tudo que elas comem é porcaria
Detritos que acham na rua todo dia.


Elas não têm nada para sobreviver
Tudo que elas têm vem de esmolas
Que sempre está pedindo a você.

Essas pessoas não têm o que comer
Não têm onde morar
Por isso oremos por elas
Só assim suas vidas vão melhorar.

Autora: Vitória de Oliveira Pimentel


A fome

Sinto pena das crianças que choram de fome
Vejo o seu sorriso mesmo diante de tanta agonia
E me sinto muito triste porque jogamos fora
Tanta comida no nosso dia a dia
Desprezamos uma riqueza que era tudo
Que essas crianças queriam.


A Fome de amor

Veio a fome e bateu na minha porta
Não quis abrir.
Pensei que fosse a saudade
 que viesse me perseguir

Bateu novamente com força

Dessa vez não resisti
Desci a escada em silêncio
 O amor para sempre partiu
Deixando essas palavras fatais:
Sou a felicidade e não voltarei jamais.

Autora: Jucilene Santos Cerqueira









quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Homenagem aos Estudantes

Dentre os diversos textos que existem para homenagear os estudantes , optei por esse poema por retratar realmente o aluno: Como um ser humano igual a qualquer um ,com erros e acertos. 
A você, meu querido aluno, a minha mais sincera gratidão. Com você aprendo todos os dias por isso que continuo sendo uma eterna estudante da nossa maior escola; A vida.
Sonhadores, tagarelas, tímidos, ousados
Gente boa, gente linda, gestos alegres
Olhos vivos, inteligentes ou quedados…
São eles! Os nossos estudantes!
Cheios de vida e esperança,
Falando com o corpo todo
Sentindo com a alma inteira!
Rebeldes , inconformados, críticos
Risonhos ou tristonhos,
Mas cheios de belos sonhos!
Estudando com afinco,
Ou levando na brincadeira…
Assumindo suas responsabilidades,
Ou então, executando tarefas
simplesmente por executá-las!
Almas nobres, solidárias…
Impetuosos ou veementes!
Quando se vão para outras paragens
Para seus estudos continuar,
Ou então outros mistérios desvendar,
Parece que levam um pedaço de nós….
Pois partem qual filho amado
A quem sempre desejamos
Toda sorte de venturas!
Estejais preparados estudantes amados!
Alguém chama pelo vosso nome!
É a família, a comunidade, o país,
Que espera a vossa resposta!
Sereis capazes de escrever uma bela história,
Com certeza a história de um mundo melhor!
Lembrai-vos também ao celebrar as conquistas,
de exaltar as dificuldades que vos fizeram crescer e evoluir,
e que nenhum fracasso será definitivo enquanto vivos estivermos!
(Beatriz Kappke)
Foto: Estudantes do Gastão durante uma oficina de leitura)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

JORGE AMADO


10/8/1912, Itabuna (BA)
6/8/2001, Salvador (BA)



 
Por coincidência da vida, Jorge Amado nasceu no mesmo mês em que morreu: agosto. Por isso nesse mês se homenageia esse autor que teve sua obra traduzida em 49 idiomas, em 55 países.
Jorge ficou mais conhecido do público em geral com a adaptação de seus livros para a TV, em novelas como Gabriela, Terras do sem fim e Tieta, além das minisséries Tenda dos milagres, e Tereza Batista. O filme Dona Flor e seus dois maridos, de 1975, baseado em uma das suas obras, foi um grande recordista de público do cinema nacional.
          Meu primeiro contato com a obra dele foi através de livro Capitães de Areia. Tinha mais ou menos 12 anos e ainda não conhecia a capital (Salvador). Morava no interior e através do livro criei uma imagem de cidade perigosa. Logo depois, fui em uma excursão de escola conhecer a cidade. Cada local que passava sentia a presença daqueles meninos que povoavam a minha imaginação e me deixava temerosa. Achava que a cidade era tomada por eles.
“Em Capitães da Areia temos a "cidade alta" como cenário principal. Pedro Bala é o chefe de um grupo de jovens arruaceiros que roubam para sobreviver. Nunca ninguém havia mencionado em literatura este bando de jovens que engenhosamente desafia as autoridades, roubando a classe privilegiada e dividindo o produto do roubo entre os seus camaradas subnutridos.
A narrativa se desenrola no Trapiche (hoje Solar do Unhão e o Museu de Arte Moderna); no Terreiro de Jesus (na época era lugar de destaque comercial de Salvador); onde os meninos circulavam na esperança de conseguirem dinheiro e comida devido ao trânsito de pessoas que trabalhavam lá e passavam por lá; no Corredor da Vitória área nobre de Salvador, local visado pelo  grupo porque lá habitavam as pessoas da alta sociedade baiana, como o comendador mencionado no início da narrativa.”
Logo no início do livro há umas cartas destinadas a redação de um jornal da Capital que justifica o título do livro e denominação do bando: São chamados de Capitães de Areia porque o cais é o seu quartel general.
Os personagens são, em sua maioria, masculinos e dentre eles, Pedro Bala, cuja agilidade sugerida pelo apelido, merece especial atenção - Sem Perna, Pirulito, O Professor são os mais destacados: Ainda temos no grupo João Grande, Volta Seca, Boa Vida.Todos muito bem configurados pelos seus apelidos baseados na aparência física.
Foi uma leitura inesquecível. Desse episódio em diante não deixei de ler sequer um livro desse grande nome da nossa literatura. Até Zélia Gattai comecei a apreciar por causa da sua relação com ele.
Jorge Amado morreu perto de completar 89 anos, em Salvador. A seu pedido, foi cremado, e as cinzas, colocadas ao pé de uma árvore (uma mangueira) em sua casa.

sábado, 6 de agosto de 2011

Assim ficaram os professores do Estado a espera da URV


O SEGREDO...
 
Um médico saiu a caminhar e viu essa "senhorinha" da foto sentada no banco de uma praça lendo o Jornal "A TARDE".
 
Imediatamente, aproximou-se e perguntou, curioso:
 
- Nota-se que a senhora está bem, qual é seu segredo??
 
Ela  então respondeu:
 
- Sou PROFESSORA do Governo do Estado. Durmo às 4 da manhã preparando atividades, elaborando provas e me levanto às 6. Não pratico esportes, e nos fins de semana também não me divirto pois ainda trabalho corrigindo avaliações, organizando aulas, preenchendo diários de classe, fazendo planejamentos e "portfólios", procurando músicas para passar para os alunos e vídeos na INTERNET para não deixar as aulas MONÓTONAS. Não tenho tempo para os meus filhos, só para os FILHOS DOS OUTROS. Estou sempre com algo para elaborar ou corrigir, inclusive nos feriados, como hoje, 1º DE MAIO - DIA DO TRABALHO. Quase não tomo café da manhã, não almoço e nem janto porque não dá tempo e também porque faço "bicos" vendendo produtos de beleza, roupas íntimas, bijouterias (que eu faço), panos de pratos (que eu pinto), dando "banca", ou relacionando contas prá pagar. 


Ah! nos minutos vagos, ainda leio os jornais em circulação, que frequentemente trazem reportagens em que o Governador do Estado, JAQUES WAGNER, diz que eu não mereço salário melhor, porque sou preguiçosa e não ensino direito...(mas afinal, como professora tenho que me manter informada, não é mesmo)?
 
O doutor então exclamou:
 
- Mas isso é extraordinário!
A senhora tem quantos anos?
 

- 47 e ainda espero estar viva até o dia do Pagamento da URV. - respondeu-lhe a senhora


NOSSA...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A PALAVRA

 
A palavra é uma roupa
que a gente veste.
Uns gostam de palavras curtas.
Outros usam roupa em excesso.
Existem os que jogam palavra fora.
...
Pior são os que usam em desalinho.
Alguns usam palavras raras.
Poucos ostentam caras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.
A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem e fingem que não.
E tem quem nunca usa
a roupa certa pra ocasião.
Tem os que se ajeitam bem
com poucas peças.
Outros se enrolam em um
vocabulário de muitas.
Tem gente que
estraga tudo que usa.
E você, com quais
palavras você se despe?
- Viviane Mosé -
in Toda Palavra